Durante muito tempo, acreditei que a minha grande paixão era a Paleontologia.
Quando revisito as primeiras recordações da minha infância, encontro sempre a mesma curiosidade pelo mundo: o fascínio pela série Cosmos, as aventuras de Indiana Jones, a história da Terra, a evolução da vida e os mistérios de um passado que parecia estar à espera de ser descoberto.
Foi essa curiosidade que me levou à Biologia, à Paleontologia e, mais tarde, à investigação científica. Passei anos a estudar fósseis, a reconstruir histórias de milhões de anos e a procurar formas de aproximar a ciência das pessoas.
Mas, há alguns anos, ao revisitar esse percurso, compreendi algo que até então não tinha conseguido nomear. Talvez a minha maior paixão nunca tenha sido apenas a Paleontologia. Talvez tenham sido, desde sempre, as palavras.
As palavras que permitem reconstruir o passado, formular perguntas, explicar descobertas, atravessar fronteiras e criar ligações entre pessoas e culturas. Percebi que o que mais me fascinava não era apenas descobrir histórias, mas encontrar maneiras de as contar.
Hoje, entre a investigação científica, a formação de professores, a mentoria de investigadores e o ensino de português e espanhol, reconheço um mesmo propósito: transformar conhecimento em comunicação e comunicação em possibilidades.